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_____Olhos abertos, boca fechada

Agosto 20, 2006

Originalmente publicado em 03 de Novembro de 2003.

Na segunda vez que precisar de silêncio, não mergulhe. Essa água toda aí é vazio.

Mas que vazio é esse, que lavo as vestes negras e a tinta que sai é vermelha? É sangue diluído, não o vinho que me prometeram.

Que vazio é esse que vibra a música ainda viva e faz lembrar da nossa eterna surdez para o que não se repete, para o que não é música?

É só um pouco de vazio, só isso.

Só uma fração de tempo em que não se pode usar mais as palavras de antes para falar dessas coisas de agora.

Isso porque esperei muito. Mas agora só preciso chegar aqui, chegar de corpo inteiro.

Vou ter tempo depois para cansar e querer fugir.

A obsessão é o meu primeiro defeito. Defeito-raiz, mãe de todos os outros. Mãe assim, no masculino. Mãe com falo, com espada na mão.

Lembra de quando você acorda, do tempo que demora para chegar em si? Então, é assim. Só espera mais um pouco e tudo volta ao normal.

Só não espere por mim.

______Apresentação (ou borboletagens)

Agosto 19, 2006

Essa é a reedição de um antigo blog, chamado Casulo, que durou uns dois ou três anos. Depois, por conta de chamadas da ‘vida real’ e de algumas dificuldades em organizar as publicações na internet, o projeto ficou parado. Até que foi eliminado pelo antigo provedor.

Definir o que ele era é uma tarefa difícil. Melhor começarmos por outro caminho: o texto de apresentação feito na época.

Ainda ali, as imagens. Flutuantes, desde quando grãos de pólen sorridentes, riam, mordiam, até virar vapor. E quase brancas, quase invisíveis então, negaram parte a qualquer quebra-cabeça.

Eu lhes pergunto agora para quê, então, tanto tempo estudando. Recontando mitologias. Para que sonhar, então, ou rever, mergulhar, para quê, me digam, para quê andar em círculos?

Lembro do tempo em que as coletava em uma cesta de palha, como folhas verdes, ainda úmidas, para lhes fazer abrigo, proteger. Levei-as enquanto caminhava e falá-las, descobri, não as gastava.

Até que aos poucos, na cesta mais não cabiam e se despejaram para o chão, para a terra, e criaram raízes.

Ali, tudo o que eu tinha que fazer era cuidar e retirar meus pés de seu caminho para cima. Aí, descobri. Continuei caminhando. Era sol da manhã esse tempo todo. E eu podia andar de mãos vazias contanto que lembrasse seus nomes.

Mas já não passou muito tempo, e mesmo só memória agora também já pesa. Pede chão, pede raiz, pede raiz nos pés dos outros. Pede não mais ser solta: ser lida e ser compreendida. Pede para ser palavra dada.

Acabou-se então, o tempo de jogá-las para o alto, como confetes. Ou soprá-las como bolhas de sabão.

Esses textos continuam vivos.

Com pequenos acertos, algumas modificações, mas ainda cheios de significado. São idéias que merecem estar abertas e serem vistas, pensadas, deglutidas, comentadas, e quem sabe até inspirar algum desavisado que tropece por aqui.

Futuramente, textos novos também vão começar a aparecer. Aguardem.

Ah, e sejam bem-vindos.