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_____Olhos abertos, boca fechada

Agosto 20, 2006

Originalmente publicado em 03 de Novembro de 2003.

Na segunda vez que precisar de silêncio, não mergulhe. Essa água toda aí é vazio.

Mas que vazio é esse, que lavo as vestes negras e a tinta que sai é vermelha? É sangue diluído, não o vinho que me prometeram.

Que vazio é esse que vibra a música ainda viva e faz lembrar da nossa eterna surdez para o que não se repete, para o que não é música?

É só um pouco de vazio, só isso.

Só uma fração de tempo em que não se pode usar mais as palavras de antes para falar dessas coisas de agora.

Isso porque esperei muito. Mas agora só preciso chegar aqui, chegar de corpo inteiro.

Vou ter tempo depois para cansar e querer fugir.

A obsessão é o meu primeiro defeito. Defeito-raiz, mãe de todos os outros. Mãe assim, no masculino. Mãe com falo, com espada na mão.

Lembra de quando você acorda, do tempo que demora para chegar em si? Então, é assim. Só espera mais um pouco e tudo volta ao normal.

Só não espere por mim.

______Dos vaga-lumes conceituais

Agosto 19, 2006

Originalmente publicado em 15 de Agosto de 2003, sob o título “Enfim”.

Cada fósforo
que acende um sonho
queima um dedo.